Criptomoedas: desafios e oportunidades dessa tecnologia comercial

As criptomoedas são moedas digitais com crescente aceitação do mercado financeiro. Entre elas, o Bitcoin é a mais conhecida, mas não é a única. Diversas outras moedas têm surgido constantemente e conquistado relevância no mercado de investimentos. Mas, afinal, quais oportunidades essa tecnologia comercial pode trazer? E quais desafios?

Uma criptomoeda é um tipo de moeda (dinheiro), como outras moedas com as quais trabalhamos no cotidiano, assim como o real. Contudo, as criptomoedas são completamente digitais e não são emitidas por nenhum governo, como é o caso do real, emitido pelo Banco Central brasileiro, por exemplo.

Muitas pessoas ainda têm dificuldade para entender o funcionamento das moedas digitais, mas há uma analogia bem simples que pode ajudar. “O que o e-mail fez com a informação, o Bitcoin fará com o dinheiro”, foi o que escreveu Fernando Ulrich, em seu livro "Bitcoin: A moeda na era digital".

É simples imaginar que hoje a troca de e-mails substitui as cartas, facilitando a comunicação ao diminuir gastos e economizar tempo. Para as pessoas mais jovens, é até difícil imaginar um mundo que dependia de cartas para se comunicar.

Ainda de acordo com o autor do livro, o Bitcoin e outras moedas digitais têm a proposta de transferir qualquer quantidade, para qualquer local do mundo, sem a necessidade de câmbio ou instituições bancárias tradicionais. O conceito das moedas digitais dispensa a existência de uma autoridade central, como é o caso das moedas tradicionais controladas pelo Estado.

Para que servem as criptomoedas?
Hoje, as criptomoedas já são aceitas como forma de pagamento tanto quanto as moedas tradicionais. Diversos países já legalizaram o uso das diversas moedas digitais, incluindo a possibilidade de câmbio, como por exemplo, nos EUA e Reino Unido. Diversas empresas que operam no Brasil são adeptas dessa tecnologia, como é o caso da Dell, Microsoft e Facebook.

Contudo, de acordo com a lei brasileira de número 12.865, sobre normas de arranjos de pagamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), é preciso que os pagamentos sejam efetivados por uma pessoa jurídica (CNPJ). Essa lei, atualmente, impede que o Bitcoin ou outras moedas digitais sejam utilizados em câmbios e pagamentos, como acontece em outros países.

De acordo com a Receita Federal, as moedas digitais são consideradas ativos e no Brasil podem ser utilizadas em alguns tipos de investimentos. Por serem consideradas como tal, devem ser incluídas no Imposto de Renda como bem. Há muita especulação e volatilidade no mercado das criptomoedas, o que faz com que seja um dos investimentos mais falados do momento.

Como funcionam?
Para entender o funcionamento das moedas digitais, é preciso compreender o conceito de mineração. As transações envolvendo criptomoedas são realizadas com proteção de criptografia, uma série de códigos complexos que não podem ser alterados.

Sem a necessidade de uma autoridade central para validar essas moedas, elas precisam ser registradas e validadas por um grupo de pessoas, que realizam a gravação no que é conhecido como blockchain.

O blockchain, por sua vez, é um grande banco de dados e transações envolvendo ativos digitais criptografados. É um banco de dados público, descentralizado, onde constam registros de transações com cada unidade de moeda digital. Cada transação é validada por este banco, para garantir, por exemplo, que este Bitcoin ou outra moeda digital não foi utilizada por outras pessoas em outra transação.

Mineração
Quem registra todas essas transações citadas acima no blockchain são chamados de mineradores. Eles oferecem a capacidade de processamento de seus computadores para realizar as transações e conferir a autenticidade das mesmas. Em troca, recebem novas unidades de Bitcoin ou outras moedas digitais.

Novas unidades de moeda são criadas sempre que os milhares de computadores conectados nesta rede conseguem resolver problemas complexos no blockchain. Quanto mais computadores passam a ser utilizados para a mineração, mais difíceis se tornam os problemas matemáticos a serem resolvidos. Essa dificuldade é imposta justamente para limitar a quantidade de mineradores.

O Bitcoin foi criado reproduzindo o processo de mineração do metal mais precioso da Terra, o ouro, conforme explica Ulrich em seu livro. Por essa concepção, há um número limitado de Bitcoins que pode ser minerado.

Criptomoedas: desafios e oportunidades
O mercado de investimentos em criptomoedas é bastante promissor, ao mesmo tempo em que é arriscado. No final de 2021 o Bitcoin bateu uma média de US$ 66 mil por cada unidade, cerca de R$ 368 mil na cotação atual. Já no início de 2022, a moeda chegou a valer cerca de R$219 mil, após sofrer oscilações. Portanto, é um tipo de investimento promissor e arriscado, indicado para investidores experientes.

Outro desafio referente às criptomoedas é devido a sua rastreabilidade. Como o processo isenta a necessidade de identificação pessoal, as criptomoedas estão sendo utilizadas para crimes de extorsão, lavagem de dinheiro, além do financiamento de atividades e compra de produtos ilegais.

Já foram registrados casos de empresas especializadas em lavagem de dinheiro utilizando criptomoedas. Funciona da seguinte forma: o criminoso transfere a quantidade que deseja lavar, a empresa cobra a taxa de serviço e transforma o valor em ativos digitais em diferentes carteiras.

O grande desafio para quem deseja investir em criptomoedas é encarar a volatilidade. É preciso ter sangue frio e outros investimentos seguros para não se deixar abalar com as quedas, que acontecem constantemente, assim como as altas.

Para quem deseja adquirir Bitcoins ou outras criptomoedas, o melhor momento para a compra é durante a baixa. Em longo prazo, é possível que o investidor tenha sim um ótimo retorno. Considerando o cenário brasileiro, de crescente depreciação do real, investir em outras moedas pode ser uma grande oportunidade de aumentar o patrimônio.

Ainda sobre o mercado de investimentos brasileiro, os ativos podem oscilar ainda mais em 2022. Afinal, é ano de eleições e o mercado financeiro tende a ficar instáveis diante de movimentos políticos de grande porte. Portanto, é preciso ter cautela.

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